É essencial para o homem, no mais profundo, o fato de que ele mesmo se coloque uma fronteira, mas com liberdade, isto é, de modo que também possa superar novamente essa fronteira, situar-se além dela.
A finitude a qual nos dirigimos limita sempre em algum lugar com o infinito do Ser físico ou metafísico. Nesta medida, a porta se converte na imagem do ponto divisório no qual o homem está ou pode estar realmente sem interrupção. A porta une de novo a unidade finita a que ligamos uma porção desenhada por nós do espaço infinito com este último; com a porta fazem fronteira entre si o limitado e o ilimitado, mas não na morta forma geométrica de um muro divisório, senão como a possibilidade da constante relação de intercâmbio (em contraposição à ponte que liga finito com finito); certamente, o cruzá-lo nos exime dessas solidezes e, previamente ao entorpecimento devido aos costumes de todos os dias, deve ter perdurado o sentimento maravilhoso de estar suspenso por um instante entre terra e céu.
(...)
Porque o homem é o ser que une, que sempre deve separar e que sem separar não pode unir (...). E do mesmo modo o homem é o ser fronteiriço que não tem nenhuma fronteira. O fechamento de seu ser-em-casa através da porta significa certamente que separa uma parcela da unidade ininterrupta do ser natural. Mas assim como a delimitação informe torna-se uma configuração, assim também sua delimitabilidade encontra seu sentido e sua dignidade pela primeira vez naquilo que a mobilidade da porta faz perceptível: na possibilidade de se sair a cada instante desta delimitação para a liberdade.
(A ponte e a porta, 1835. George Simmel)
A finitude a qual nos dirigimos limita sempre em algum lugar com o infinito do Ser físico ou metafísico. Nesta medida, a porta se converte na imagem do ponto divisório no qual o homem está ou pode estar realmente sem interrupção. A porta une de novo a unidade finita a que ligamos uma porção desenhada por nós do espaço infinito com este último; com a porta fazem fronteira entre si o limitado e o ilimitado, mas não na morta forma geométrica de um muro divisório, senão como a possibilidade da constante relação de intercâmbio (em contraposição à ponte que liga finito com finito); certamente, o cruzá-lo nos exime dessas solidezes e, previamente ao entorpecimento devido aos costumes de todos os dias, deve ter perdurado o sentimento maravilhoso de estar suspenso por um instante entre terra e céu.
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Porque o homem é o ser que une, que sempre deve separar e que sem separar não pode unir (...). E do mesmo modo o homem é o ser fronteiriço que não tem nenhuma fronteira. O fechamento de seu ser-em-casa através da porta significa certamente que separa uma parcela da unidade ininterrupta do ser natural. Mas assim como a delimitação informe torna-se uma configuração, assim também sua delimitabilidade encontra seu sentido e sua dignidade pela primeira vez naquilo que a mobilidade da porta faz perceptível: na possibilidade de se sair a cada instante desta delimitação para a liberdade.
(A ponte e a porta, 1835. George Simmel)

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